segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O novo Código Penal e seus perigos para a fé

Fonte:blog.cancaonova.com/felipeaquino
O perigo que a reforma no Código Penal Brasileiro pode causar para a fé
Está tramitando de maneira acelerada a reforma do Código Penal Brasileiro. Infelizmente a equipe de juristas que preparou o Anteprojeto do novo Código contempla a aprovação do aborto e da eutanásia, além de outros dispositivos que não se coadunam com a moral católica. Deem uma olhada no site:
A Dra. Lenise Garcia, emérita lutadora contra a aprovação do aborto e da eutanásia no Brasil, pede aos católicos que se manifestem urgentemente junto ao Senado Nacional. “Ligue 0800 612211 e dê a sua opinião! O Senado precisa ouvir o povo brasileiro. Não podemos deixar que uma Comissão de Juristas que não nos representa faça esta mudança do Código Penal”.
As mensagens gravadas são entregues nos gabinetes dos senadores e, quando perguntarem para quem deve ser entregue a mensagem diga: a todos os senadores, especialmente aos membros da Comissão Especial para reforma do Código Penal. Você também pode se manifestar especificamente aos senadores do seu Estado, que são os seus representantes. Você pode dizer, por exemplo:
“Solicito a Vossa Excelência que, no anteprojeto do novo Código Penal, não descriminalize nem crie novas exceções para o aborto e a eutanásia. O direito constitucional à vida deve ser respeitado. Como cidadão, manifesto minha desaprovação à tentativa de descriminalizar o aborto e a eutanásia na reforma do Código Penal. Os nascituros e os doentes devem ser respeitados”.
Mensagens como estas podem ser feitas por telefone no número acima ou pela internet neste link. (http://www.senado.gov.br/senado/alosenado/codigo_penal.asp)
Dia 08 de agosto foi instalada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal a Comissão Especial para a reforma do Código Penal Brasileiro (PLS 236/2012). O Processo está tramitando rapidamente, o que tem preocupado as autoridades da Igreja. São curtos os prazos para a análise, e isto dificulta uma real participação da sociedade em um assunto tão importante. Por exemplo, os senadores poderão propor emendas à Comissão somente até o dia 04/09, isso em plena campanha eleitoral. Por isso, eles precisam saber que desejamos mudanças na proposta.

sábado, 18 de agosto de 2012

Dom José Carlos Chacorowski, bispo auxiliar de São Luís-ma prega na Canção Nova.


Deus em primeiro lugar
O primeiro Dia de Louvor para Caminhoneiros, realizado nesse sábado, dia 18 de agosto, na sede da Comunidade Canção Nova, em Cachoeira Paulista foi marcado por várias testemunhos de quem ganha a vida trabalhando nas estradas do Brasil.

Pela manhã,
 Dom José Carlos Chacorowski, bispo auxiliar de São Luíz do Maranhão, falou um pouco da vida, por vezes difícil dos caminhoneiros, mas que quando Deus é colocado como centro de nossa vida e trabalho, Ele nos concede a graça de viver bem mesmo em meio das dificuldades próprias da profissão. 


Dom José, partilhou da experiência de que por alguns anos fez também como caminhoneiro, sua carga era “a mais preciosa das estradas”, como ele mesmo disse, pois em seu caminhão baú havia uma capela itinerante, que percorria as estradas do Brasil. 

.: Ouça o trecho dessa história e da pregação 

Durante a pregação, o bispo também citou o caminhoneiro Valmir Coloniezzi, que é natural do Rio Grande do Sul. O senhor Valmir estacionou seu caminhão com a carga para entrega e com a esposa Janes Coloniezzi, vieram participar do evento.

Em entrevista, o senhor Valmir perguntado o motivo pelo qual fez isso nos disse “que em muitos momentos de nossa vida, é importante paramos um pouco para ouvir a voz de Deus e assim poder caminhar nas estrada dos bons.” Testemunhou que ele também, por vezes já percorreu o caminho errado, mas que tem lutado a cada dia para trilhar a estrada de Cristo. 




“O que me motivou a estar nesse encontro foi o querer ajudar aos meus companheiros de profissão assim como eu fui ajudado, eu experimentei o amor de Deus e agora eu quero levar esse amor aos outros. Percebo que o Senhor, não está interessado em nossos pecado, mas sim em nós e Ele quer a nossa Salvação.” 


Esse encontro com Deus foi tão forte que o senhor Valmir e sua esposa agora fazem parte da Comunidade Aliança da Canção Nova.

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18 de agosto de 2012

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Congresso Diocesano reúne caravanas em São Luís-ma






O CONGRESSO CONTOU A PARTICIPAÇÃO DO PALESTRANTE CEARENSE LUIZ CARVALHO (HONORIO MOREIRA/OIMP/D.A. PRESS)
O CONGRESSO CONTOU A PARTICIPAÇÃO DO PALESTRANTECEARENSE LUIZ CARVALHO

Música como meio de formação espiritual. Essa foi a proposta do 1º Congresso Diocesano de Música e Artes, realizado no último fim de semana, pela RenovaçãoCarismática Católica (RCC) de São Luís, na sede da entidade, no Angelim.

Contando com a participação do cantor e palestrante cearense Luiz Carvalho, o qual realizou uma apresentação musical, na noite de sábado, o evento reuniu integrantes de diversos grupos ligados à RCC na capital maranhense e no interior do estado. De acordo com o coordenador do Ministério de Música da instituição, George Castro, caravanas de fiéis vieram das cidades de Imperatriz, Brejo, Cândido Mendes, Rosário e Coelho Neto, reforçando a expectativa de realização do congresso estadual, no próximo ano.

George Castro informou a O Imparcial que o principal propósito do congresso foi o reforço espiritual dos integrantes da RCC, bem como da comunidade em geral, através da formação litúrgica e bíblica. Dessa forma, as técnicas musicais deveriam servir apenas de esteio para a concretização do objetivo maior do encontro. Segundo o coordenador, o convite do palestrante baseou-se no conceito que Luiz Carvalho detém, junto à comunidade católica, em especial à RCC, e pela experiência do cantor, o qual desde a década de 1980 vem fazendo uso da música e de outras formas de arte como instrumentos de evangelização e devoção divina.

Dentre os temas abordados pelo palestrante, que já lançou CDs e DVDs a serviço da igreja, os participantes do congresso foram questionados em relação às tentações terrenas, que muitas vezes levam a comunidade cristã a renunciar às próprias convicções em favor de benefícios imediatos. "Um jovem, adulto ou criança apaixonado por Jesus Cristo pode dizer não a uma proposta indecente", declarou Luiz Carvalho, ressaltando que as pessoas fragilizadas pelos problemas cotidianos acabam sendo atraídas por benefícios aparentemente promissores, mas que apenas servem para reforçar o individualismo. Em algumas ocasiões durante o ministério, o palestrante fez um convite para a plateia e os músicos entoarem cânticos devocionais.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

RCC de São Luís promoverá 1º Congresso para músicos e artistas


Da redecidade.net


 RCC de São Luís promoverá 1º Congresso para músicos e artistas
A Renovação Carismática Católica (RCC) da Arquidiocese de São Luís do Maranhão realizará nos dias 03 e 04 de agosto, o 1º Congresso Diocesano de Música e Artes, que terá como palestrante um dos mais renomados músicos católicos Luiz Carvalho, da Comunidade Católica Recado (CE).
O Congresso de Música e Arte tem como objetivo oferecer formação espiritual (através de palestras) e técnica (com workshops) para os músicos e artistas católicos de São Luís.
“Esperamos a participação não somente dos músicos e artistas da RCC, mas de todos que servem à Igreja Católica. Esta será uma oportunidade de atualizarmos nossa formação e assim oferecer um melhor serviço aos irmãos em nossas Paróquias”, informa George Castro, coordenador do Ministério de Música e Arte da RCC em São Luís, e candidato a diácono permanente pela Arquidiocese.
Além dos 105 Grupos de Oração da RCC de São Luís, também poderão se inscrever quem não participa do movimento. “Será um despertar e um reavivamento dos ministros de arte que servem a Igreja em São Luís”, conclui George.
Palestras serão realizadas durante o dia, e no sábado à noite (03/08) acontecerá show com o cantor Luiz Carvalho, palestrante do Congresso, e que traz em seu currículo de músico católico, canções memoráveis tocadas nos Grupos de Oração da RCC pelo Brasil, desde a década de 1980.

Sobre o palestrante
O cearense Luiz do Rego Carvalho Júnior é odontólogo e músico. Antecessor da atual gestão do Ministério de Música e Arte da RCC Brasil, ele é o fundador da Comunidade Católica Missionária Recado (Nova Comunidade, criada após o Concílio Vaticano II, que exerce o serviço à Igreja através da evangelização, tendo como principal instrumento a música), e  vocalista de banda com nome homônimo, uma das primeiras no universo católico carismático brasileiro. Em seu currículo estão vários prêmios como melhor intérprete, no Festival de Música Shalom (CE) e o reconhecimento nacional por ser um dos músicos que ajudou a construir a história da música feita pelos intérpretes e compositores carismáticos do Brasil.

sábado, 28 de julho de 2012

A Política e a Igreja...É assim que eu penso.

Por George Castro.
Todo ser humano é um ser político e deve fazer política.Pois é ela que determina as condições de vida da sociedade. O que não concordo é com a politicagem, com o voto comprado através de favores,com o assistencialismo eleitoreiro, com os políticos convertidos de última hora,que querem fazer dos Ambões ou dos Púlpitos seus palanques,fazendo das Igrejas Cristãs currais eleitorais e não respeitando a fé do povo que se reúne para prestar culto e servir a Deus.Acredito na política do bem comum, que ensina o senso crítico, que respeita a consciência e a liberdade de escolha das pessoas,que denuncia as injustiças, que defende propostas sem indicar nomes.Aprendi que a Igreja é mãe, e por isso,tem que acolher a todos os filhos independente dos partidos a que pertençam,a mãe não pode abraçar um filho e deixar de abraçar o outro...não abraçando,claro, as idéias que contrariam o evangelho e o seu magistério.Por isso peço a Deus que abençoe a todos os candidatos e candidatas que defendem incondicionalmente a preservação da vida em todas as suas etapas,o desenvolvimento sustentável do nosso planeta, a liberdade religiosa e principalmente a justiça social e que não sejam reféns do capitalismo e de grupos políticos que oprimem o povo.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

A beira do caminho

Foto:Ana Guedes
Por George Castro.
Hoje a Liturgia da Igreja nos faz refletir sobre a parábola do semeador(Mt 13,18-23), chama-me atenção o versículo 19:"Todo aquele que ouve a palavra do reino e não a compreende,vem o maligno e rouba o que foi semeado em seu coração.Este é o que foi semeado à beira do caminho"...Qual a nossa resposta diante da proposta de Jesus?Ele tem sido o caminho que estamos seguindo ou estamos apenas "sentados à beira do caminho"vendo a vida passar como diz aquela canção do Erasmo Carlos:"Vejo caminhões e carros apressados a passar por mim, estou sentado à beira de uma estrada que não tem mais fim,preciso acabar logo com isso,preciso lembrar que eu existo"...?Somos participantes do reino ou meros expectadores do Cristo e da Igreja?Quem apenas "assiste" o evangelho, corre o risco de tornar-se apenas um torcedor, que torce para que "no final" tudo dê certo para o "mocinho"e seus companheiros de viajem, ou regozija-se com os contratempos entre aqueles que já estão caminhando e esperando que o "circo" pegue fogo...Somos chamados, como Zaqueu, a descermos da árvore e colocarmo-nos a serviço do reino, a fazer parte e seguir o caminho que é Jesus...Quem apenas admira o Cristo, se distrai e não consegue compreendê-lo,e a mensagem lhe é facilmente retirada e encoberta por outras propostas "mais atraentes"...Só caminha quem sai da beira da estrada! 

sexta-feira, 20 de julho de 2012

História da Música Popular Religiosa e Católica no Brasil


Do Blog do Rodrigo Bianchesi

Foi nos anos 60 que a música popular religiosa começava a ganhar forma no Brasil. Anterior a esta década, não há nenhum registro de quaisquer outras gravações.

Muito antes do filme "Mudança de Hábito" nos anos 90, em que um grupo de freiras transformavam o convento em um grande coral, uma irmandade do interior de São Paulo as "Missionárias de Jesus Crucificado" lançavam em 1963 o seu primeiro LP, intitulado "Missionárias em LP" com selo da própria irmandade, com músicas compostas pelas próprias irmãs e feito sob encomenda pela Cia Industrial de Discos no RJ.



As irmãs foram pioneiras em uma época em que freiras gravarem um disco era um ato altamente criticado, inaceitável. E o mercado para a música religiosa era muito restrito.
O primeiro disco foi tão bem aceito, que em 1964 veio o LP "Quando canta o coração" que seguia o ritmo da MPB e a movimento da Jovem Guarda da época. Uma canção em especial neste disco composta pelas irmãs, virou um hino de bondade até hoje: "Um pouco de perfume":

"Fica sempre, um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas,
nas mãos que sabem ser generosas..."



Nesta mesma época o ministro David Wayne Smith da Igreja Presbiteriana do Estados Unidos, vem ao Brasil como missionário e tendo se instalado no convento das MJC, conhece o trabalho musical das irmãs e as convencem a gravar um LP com versões em inglês de suas canções com a participação do ministro americano: é lançado o LP "When the heart sings" (Quando canta o coração), no Brasil e nos Estados Unidos, também em 64.


Capa brasileira


Capa americana

Em 1965 veio o disco "Felicidade Chegou"; e quase 13 anos depois o último LP "Alegrai-vos no Senhor" pela Sono-Viso, em comemoração aos 50 anos da irmandade no Brasil.



As mensagens de paz, caridade e otimismo foram a marca registrada pelas MJCsem suas canções, tudo isso com uma pitada de muita alegria e animação.

Para ouvir ou baixar as canções no site das irmãs entre no site aqui.
Ou baixe:
Missionárias em LP
Quando canta o coração
When the heart sings
Alegrai-vos no Senhor

Só então, em 1965, que as Edições Paulinas alugam estúdio em São Paulo e gravam compactos comemorativos para o dia das mães e dia dos pais etc... Wilma Camargoera a compositora, cantora e fazia os arranjos dos compactos.


Compactos de Wilma Camargo


Em 1967, PeZezinho, depois de ter sido ordenado em 1966 nos EUA, vem para o Brasil e muda completamente a forma de se conduzir uma missa, compondo e introduzindo instrumentos elétricos, atraindo multidões... principalmente os jovens, pois falava a linguagem que os jovens da época entendiam. Alguma coisa muito boa acontecia na Paróquia São Judas Tadeu na capital São Paulo.
Grava pela "Congregação do Sagrado Coração de Jesus", que é sua congregação, os seus primeiros discos, sob encomenda da RCA Victor.


Capa de "O Cristo Inconstante" 1969 pela RCA.

Em 1968, o paraguaio Padre Irala, grava o seu primeiro LP pelas Edições Paulinas"Juventude e Alegria" e seu primeiro compacto "Irala Canta" que eternizou a "Oração de São Francisco".





À partir de 1970, eram compostas e gravadas em compactos, canções feitas especialmente para as Campanhas da Fraternidade, pela CNBB.

Em 1970, Padre Zezinho grava seu primeiro compacto "Canção da Amizade" pelas Edições Paulinas. Antes desse lançamento, P. Zezinho já tinha composto um compacto duplo para o Irala: "Transpondo Fronteiras".



Daí em diante PeZezinho se torna o artista de maior visibilidade da editora e da Música Católica, lançando muitos compactos, discos de mensagens para jovens e livros às dezenas. Só em 1972 lança o primeiro LP com 12 canções "Estou pensando em Deus" cuja capa não possuía o nome do autor e nem mesmo o título; apenas a imagem de um jovem padre emitindo ondas de sua mente para o mundo. E foi exatamente isto que aconteceu... o mundo conheceu suas canções.



São quase duas centenas de discos catalogados, quase 100 livros e projetos de bandas a quem formou, compôs e produziu. Influênciou e influencia todos os cantores que surgiram depois dele: católicos ou evangélicos.
Padre Zezinho grava seus CDs até hoje com as Edições Paulinas; mas nesses quase 50 anos, houve exceções em que o autor gravou em outras editoras ou gravadoras; quando seu trabalho não é aceito na Paulinas, ele tem a liberdade de publicar em outros meios: Nos anos 70 gravou alguns discos pela Sono-Viso no RJ(que fechou nos anos 90), e nos anos 2000 pela Procade no sul do Brasil. Já publicou livros pelas editoras Paulus, Santuário e Loyola.

Em 1972, PeZezinho revela Silvio Brito que lança o primeiro compacto: "Muito prazer, Jesus Cristo"... na contracapa uma mensagem do P. Zezinho“Achei que um jovem que domina 10 instrumentos, compõe, e procura viver o que anda cantando devia receber um púlpito. Trouxe-o para vocês”, apadrinha o religioso.




Em 1976, surge Pe. Jonas Abib com suas primeiras canções para os grupos da Renovação Católica Carismática e o primeiro LP: "Canções para orar no Espírito". Em 1977, veio o primeiro disco solo "O amor vencerá", ambos gravados nas EdiçõesPaulinas. Mais tarde ele dedicaria seu tempo ao projeto "Canção Nova", que hoje é uma grande rede de rádio e TV.




Também nos anos 70, a Irmã Miria Therezinha Kolling ICM, surge no cenário musical das Edições Paulinas. A curiosidade é que a irmã não canta em seus discos, apesar de compor letras e músicas.




Com cada vez mais força no mercado, as Edições Paulinas lançam muitos LPscelebrativos entre 76 e 1990, com diversos nomes, que mais tarde se tornariam importantes para a MPB.
Em quase todos estes discos celebrativos lá estavam eles: Astúlio Nunes, Reynaldo,Jessé (que mais tarde, em 80, ganharia o Festival MPB Shell de melhor intérprete), Regina Carvalho, Antonio CardosoNairzinha... pessoas que não estavam na mídia, mas que tinham talento e vozes espetaculares, e o coral Canarinhos Liceanos.

Capa de 1976 - Reynaldo Cominato "Bom dia, meu amigo": Segundo informações da internet, cantor teria morrido por câncer, na década de 90.





Capa de 1980 - "Caminheiro": disco fantástico com muitas composições do Frei Luiz Turra, nas vozes de Reynaldo, Astúlio, Regina e Tuca
Em 1981 é gravada a música "A barca", composição de Cesario Gabarain nas vozes de Astúlio Nunes e Cidinha Olivetti, em um compacto duplo de mesmo nome.





Entre 1982 e 1983, o Padre Antonio Maria grava seus dois primeiros LPs: "A Esperança tem voz" e "Tempo de Paz". Após estes trabalhos pelas EdiçõesPaulinas, ele passa a gravar em outras editoras os seus discos solos.



Em 1984 é lançado pela Emaús Discos o primeiro LP "Louvemos o Senhor", projetoidealizado por Kater, embalado pela RCC. Os vários volumes que se seguiram, tiveram a participação e a revelação de muitos cantores como: Maria do Rosário, Pe. Joãozinho, scj, e alguns Lps tiveram a participação do PeAntonio Maria. O sucesso foi tanto que virou programa de TV e um livro de músicas usadas em celebrações. Louvemos o Senhor é exibido até hoje na TV Século 21.



Em 1985 a banda Agnus Dei, lança o seu primeiro LP.

Sem mídia e sem marketing, mas com talento, a canção "Oração pela Família" no lado B do disco "Sol Nascente, Sol Poente" do PeZezinho vende mais de um milhão de cópias, e é disco de diamante. Um feito inédito na música religiosa no Brasil. Durante anos ele negou o direito de gravação desta música para outros cantores, inclusive Roberto Carlos.



Nos anos 90 há uma prolongada escassez de novos talentos na música católica.
PeZezinho cria o grupo Cantores de Deus em 1995, grupo que o acompanhava em seus shows pelo Brasil e os colocava para cantar em quase todos seus CDs seguintes.
Só em 1998, os Cantores de Deus lançaram o primeiro CD: "Em verso e em canção" totalmente produzido pelo PeZezinho - letras e músicas - o sucesso foi tanto que o grupo gravou uma versão em espanhol do CD "En verso y en canción" viajando mundo afora. A primeira formação do grupo agradou a todos; os dois primeiros CDs foram disco de ouro. Infelizmente membros foram deixando o grupo, e da formação original, apenas duas cantoras permanecem até hoje.



No fim dos anos 90, uma paróquia na capital paulista chama a atenção da grandemídia pela quantidade de pessoas que se apertavam para tentar assistir a "missashow" do padre que era um verdadeiro animador: Marcelo Rossi. Ele utilizava danças, coreografias, e sua banda fazia um apanhado geral de músicas antigas dos movimentos da RCC e até músicas evangélicas entravam no repertório. MarceloRossi não canta nem compõe.
mídia o fez superestar da noite para o dia. Em pouco tempo já estava em todos os programas de televisão e rádio, suas canções tocavam até mesmo em boates edanceterias; os templos ficavam pequenos demais pela quantidade de pessoas que vinham de todos os lugares para vê-lo. A superexposição do Padre foi altamente criticada por alguns setores da própria Igreja Católica e pequenos grupos de outras religiões, sentiam-se ofendidos por ver um padre católico utilizando algumas de suas canções. O que o fez dar um tempo da grande mídia.
Mesmo com tanta polêmica sobre dançar ou não numa celebração, cantar ou não músicas de outras igrejas, o primeiro CD "Músicas para louvar o Senhor" de 1998, vendeu mais de 3 milhões de cópias: o resultado disso foram 3 discos de diamante.



Por aqui eu termino essa história. Sei que muita coisa surgiu depois de 1998, e muita coisa mudou, e meu conhecimento não é tanto de lá para cá. Meu objetivo foi mostarque houve muita gente boa e talentosa que lutou pela música religiosa católica, antes da mídia criar superastros, como se esse movimento tivesse começado ontem.
Se me esqueci de alguém, peço desculpas. Sugestões são benvindas nos comentários.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

RCC-SÃO LUÍS-MA REALIZARÁ CONGRESSO PARA ARTISTAS DIAS 4 E 5 DE AGOSTO.

As inscrições podem também ser feitas a partir do dia 16 de julho na secretaria da Sede da RCC, no angelim em São Luís-ma.
Valor da inscrição: R$ 10,00 (com direito ao Show de Luis Carvalho)
Informações: (98) 3246-7870

quarta-feira, 4 de julho de 2012

MISSA DA DIVINA MISERICÓRDIA, SEXTA-FEIRA, EM SÃO LUÍS-MA !

FONTE: facebook.com/arquidiocesedesaoluisma


Lembre-se: Dia 06 de julho (1a Sexta-feira do mês) : 
Missa da Divina Misericórdia, Adoração ao Santíssimo Sacramento e Terço da Misericórdia.
Igreja de São João Batista as 14hs.
Transmissão pela TV Nazaré - Canal 53.


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Orientações da Igreja aos casais de segunda união

Do blog.cancaonova.com

Por Prof.Felipe Aquino


O que a Igreja diz aos casais que vivem nesta situação?
No Encontro Mundial das Famílias,  em Milão,  em 2 junho de 2012, foi feita uma pergunta ao Papa, na “Festa dos Testemunhos”, no Parque Bresso de Milão, Itália.  Manoel Angelo, um brasileiro lhe perguntou o seguinte: “Alguns desses casais que se casam novamente gostariam de se reaproximar da Igreja, mas veem negados os Sacramentos a eles e a desilusão é grande. Se sentem excluídos, marcados por uma sentença definitiva (…).   Sabemos que estas situações e que estas pessoas estão muito no coração da Igreja: quais palavras e quais sinais de esperança podemos dar a eles?”
O Papa respondeu o seguinte: “Na realidade, este problema dos casais em segunda união é um dos grandes sofrimentos da Igreja hoje. E não temos receitas simples. O sofrimento é grande e podem somente ajudar as paróquias, os indivíduos, ajudando estas pessoas a suportar o sofrimento deste divórcio. Eu diria que é muito importante saber, naturalmente, a prevenção, isto é, aprofundar desde o início, no namoro, numa decisão profunda, madura. Além disso, o acompanhamento durante o matrimônio, afim que as famílias não estejam nunca sozinhas, mas realmente acompanhadas em seu caminho.
E depois, quanto a essas pessoas, devemos dizer (…) que a Igreja as ama, mas eles devem ver e sentir este amor. Parece-me um grande desafio para uma paróquia, uma comunidade católica, fazer realmente o possível para que eles se sintam amados, aceitos, que não se sintam “fora”, mesmo que não possam receber a absolvição e a Eucaristia. Eles devem ver que mesmo assim vivem plenamente na Igreja. Talvez, se não é possível a absolvição na Confissão, todavia, um contato permanente com um sacerdote, com um guia espiritual, é muito importante para que possam ver que estão sendo acompanhados, guiados.
Depois, é também muito importante que sintam que a Eucaristia é verdadeira e participada se realmente entram em comunhão com o Corpo de Cristo. Mesmo sem o recebimento “corporal” do Sacramento, podemos estar espiritualmente unidos a Cristo no Seu Corpo. E fazer entender isso é importante, que realmente encontrem a possibilidade de viver uma vida de fé, com a Palavra de Deus, com a comunhão da Igreja e podem ver que o sofrimento deles é um dom para a Igreja, porque serve, assim, para defender também a estabilidade do amor, do Matrimônio; e que este sofrimento não é somente um tormento físico e psíquico, mas é também um sofrimento na comunidade da Igreja, para os grandes valores da nossa fé. Penso que o sofrimento deles, se realmente interiormente aceito, pode ser um dom para a Igreja. Devem sabê-lo, que justamente assim servem a Igreja, estão no coração da Igreja. Obrigado pelo vosso empenho”.
http://ocatequista.com.br/?p=5893
Na Exortação Apostólica pos-sinodal “Sacramentum Caritatis” (n.29), de 22/2/2007, o Papa Bento disse: “Nos casos em que surjam legitimamente dúvidas sobre a validade do Matrimônio sacramental contraído, deve fazer-se tudo o que for necessário para verificar o fundamento das mesmas. Há que assegurar, pois, no pleno respeito do direito canônico, a presença no território dos tribunais eclesiásticos, o seu caráter pastoral, a sua atividade correta e pressurosa; é necessário haver, em cada diocese, um número suficiente de pessoas preparadas para o solícito funcionamento dos tribunais eclesiásticos. (…) Enfim, caso não seja reconhecida a nulidade do vínculo matrimonial e se verifiquem condições objetivas que tornam realmente irreversível a convivência, a Igreja encoraja estes fiéis a esforçarem-se por viver a sua relação segundo as exigências da lei de Deus, como amigos, como irmão e irmã; deste modo poderão novamente abeirar-se da mesa eucarística, com os cuidados previstos por uma comprovada prática eclesial.” (SC, 29)
O Papa Beato João Paulo II já tinha falado do mesmo assunto em sua Exortação Apostólica pós sinodal sobre a família (Familiaris Consórtio, 1981): “Os Padres Sinodais estudaram-no expressamente (…) Juntamente com o Sínodo exorto vivamente os pastores e a inteira comunidade dos fiéis a ajudar os divorciados, promovendo com caridade solícita que eles não se considerem separados da Igreja, podendo, e melhor devendo, enquanto batizados, participar na sua vida. Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o Sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência para assim implorarem, dia a dia, a graça de Deus. Reze por eles a Igreja, encoraje-os, mostre-se mãe misericordiosa e sustente-os na fé e na esperança.
A Igreja, contudo, reafirma a sua práxis, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir à comunhão eucarística os divorciados que contraíram nova união. Não podem ser admitidos, do momento em que o seu estado e condições de vida contradizem objetivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja, significada e atuada na Eucaristia. Há, além disso, um outro peculiar motivo pastoral: se se admitissem estas pessoas à Eucaristia, os fiéis seriam induzidos em erro e confusão acerca da doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio.
A reconciliação pelo sacramento da penitência – que abriria o caminho ao sacramento eucarístico – pode ser concedida só àqueles que, arrependidos de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo, estão sinceramente dispostos a uma forma de vida não mais em contradição com a indissolubilidade do matrimonio. Isto tem como consequência, concretamente, que quando o homem e a mulher, por motivos sérios – quais, por exemplo, a educação dos filhos – não se podem separar, «assumem a obrigação de viver em plena continência, isto é, de abster-se dos actos próprios dos cônjuges».
Igualmente o respeito devido quer ao sacramento do matrimônio quer aos próprios cônjuges e aos seus familiares, quer ainda à comunidade dos fiéis proíbe os pastores, por qualquer motivo ou pretexto mesmo pastoral, de fazer em favor dos divorciados que contraem uma nova união, cerimônias de qualquer gênero. Estas dariam a impressão de celebração de novas núpcias sacramentais válidas, e consequentemente induziriam em erro sobre a indissolubilidade do matrimonio contraído validamente.
Agindo de tal maneira, a Igreja professa a própria fidelidade a Cristo e à sua verdade; ao mesmo tempo comporta-se com espírito materno para com estes seus filhos, especialmente para com aqueles que sem culpa, foram abandonados pelo legítimo cônjuge.
Com firme confiança ela vê que, mesmo aqueles que se afastaram do mandamento do Senhor e vivem agora nesse estado, poderão obter de Deus a graça da conversão e da salvação, se perseverarem na oração, na penitência e na caridade” (FC, 84).
O Catecismo da Igreja diz o seguinte: “São  numerosos hoje, em muitos países, os católicos que recorrem ao divórcio segundo as leis civis e que contraem civicamente uma nova união. A Igreja, por fidelidade à palavra de Jesus Cristo (“Todo aquele que repudiar sua mulher e desposar outra comete adultério contra a primeira; e se essa repudiar seu marido e desposar outro comete adultério”: Mc 10,11-12), afirma que não pode reconhecer como válida uma nova união, se o primeiro casamento foi válido. Se os divorciados tornam a casar-se no civil, ficam numa situação que contraria objetivamente a lei de Deus. Portanto, não podem ter acesso à comunhão eucarística enquanto perdurar esta situação. Pela mesma razão não podem exercer certas responsabilidades eclesiais. A reconciliação pelo sacramento da Penitência só pode ser concedida aos que se mostram arrependidos por haver violado o sinal da aliança e da fidelidade a Cristo e se comprometem a viver numa continência completa. (§1651)
“A respeito dos cristãos que vivem nesta situação e geralmente conservam a fé e desejam educar cristãmente seus filhos, os sacerdotes e toda a comunidade devem dar prova de uma solicitude atenta, a fim de não se considerarem separados da Igreja, pois, como batizados, podem e devem participar da vida da Igreja:
Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício da missa, a perseverar na oração, a dar sua contribuição às obras de caridade e às iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência para assim implorar, dia a dia, a graça de Deus. (§1652)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A história de Santo Antônio


De ofmsantoantonio.org


Por Frei Marconi Lins de Araújo, ofm


A vida de Santo Antônio continua chamando a atenção de muita gente por esse mundo a fora. Como nós sabemos, Santo Antônio nasceu numa família rica e importante de Portugal. Mas logo cedo quis viver o despojamento da vida de Jesus Cristo junto à comunidade do mosteiro da Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho. E quando seus parentes quiseram favorecer uma vida mais fácil dentro do mosteiro de São Vicente de Foras, periferia de Lisboa, mudou-se para o mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, fugindo assim das facilidades que queriam para ele.
Mais tarde, querendo viver uma vida ainda mais radical, passou a seguir o caminho da pobreza evangélica, na imitação de Cristo, do jeito do Pobre de Assis, São Francisco. Antônio nasceu para servir! E fez-se servidor da Palavra de Deus que anunciou não só com sua voz, mas, sobretudo, com seu exemplo.
Vamos conhecer um pouco da vida deste grande santo franciscano para aprender dele e com ele seguir Jesus Cristo vivendo o mandamento do amor!

"Nasceu rico, fez-se pobre"

O tema faz-nos lembrar a afirmação de São Paulo que diz: “Jesus, embora fosse rico, se tornou pobre por causa de vocês, para com sua pobreza enriquecer vocês” (2Cor 8,9). E Santo Antônio, conforme nos conta a história, também nasceu de família rica. Seu pai Martinho de Bulhões, era cavaleiro do Rei Afonso II de Portugal, e sua mãe, Maria Teresa Taveira, aparentada com Failo I, o quarto rei das Astúrias. Seu avô, o conde Godofredo de Bulhões foi o comandante da primeira cruzada, “guerra santa” dos cristãos contra os maometanos que dominavam a Palestina, terra onde nasceu Jesus. Também tinha um tio chamado Fernando de Bulhões que era cônego e diretor de uma escola onde estudavam os filhos dos ricos, dos políticos e nobres. Nosso santo nasceu em Lisboa no dia 15 de agosto de 1195. Recebeu na pia batismal, na catedral de Lisboa, o nome de Fernando, que significa “ousado campeão da paz”. A casa onde nasceu Santo Antônio fica ao oeste da Sé de Lisboa, muito perto do portal principal. Certamente tinha outros irmãos. Entretanto somente temos conhecimento seguro de uma irmã, chamada Maria e que morreu em 1235 no mosteiro de São Miguel em Lisboa como cônega. Ela ainda vivia quando seu irmão, Santo Antônio, foi canonizado em 30 de maio de 1232.
Logo cedo, Santo Antônio foi para a escola onde seu tio era o diretor. Por ser filho do governador, vivia no luxo e na regalia, tinha tudo para buscar a vida e o ideal dos ricos de seu tempo. Mas quando Deus escolhe e chama alguém, não se pode fugir de seu caminho, e Santo Antônio fugiu foi da riqueza, da politicagem, da mentira e bajulação e buscou a felicidade bem longe de tudo isso. Certo dia, já rapazinho, assim desabafou:
“Ó mundo! Como você é um peso para mim!
O seu poder é nada!
Você não passa de uma varinha fraca.
As suas riquezas são como uma baforada de fumaça, e os seus prazeres como uma pedra traiçoeira, na qual a coragem de um homem de bem se afunda”.

“Acolheu com alegria a sabedoria da Palavra de Deus”

Em Lisboa, o rei de Portugal Dom Afonso I mandou construir um mosteiro e deu o nome de São Vicente de Fora. Queria que aquele lugar marcasse a vitória dos portugueses contra os seguidores de Maomé, que quiseram tomar Portugal. Nessa guerra contra os maometanos, o avó de Santo Antônio foi muito importante.
Para tomar conta do mosteiro, que ficava fora da cidade de Lisboa, o Rei convidou os religiosos chamados Agostinianos, que já tinham um mosteiro em Coimbra, o de Santa Cruz. Os Agostinianos eram muito estudados, possuíam terras e se relacionavam muito bem com os nobres, ricos e letrados da região.
Foi para o mosteiro de São Vicente de Fora que Santo Antônio entra para a vida religiosa, em 1210, com a idade de 15 anos. Sofreu a resistência de seus pais e parentes que queriam que seguisse uma outra carreira mais vantajosa de glórias, poder e riqueza, mas nosso santo tinha escutado o chamado de Deus e manteve-se firme em sua decisão.
Mas a vida para Antônio no mosteiro foi difícil, sobretudo porque seus parentes queriam interferir demais, oferecendo-lhe facilidades e conseqüentemente o interesse dos cônegos em manter um relacionamento social estreito com nobres e ricos incomodavam a Antônio. Ele queria uma vida que correspondesse às exigências do Evangelho.
Assim, dois anos mais tarde, em 1212, foi transferido para o mosteiro de Santa Cruz e lá encontrou ambiente propício para seu crescimento humano e espiritual. Dos Sermões que nos deixou, pode-se concluir que Antônio aproveitou intensamente as possibilidades de estudo que lhe foram oferecidas em Coimbra. Possuidor de uma memória extraordinária dedicou-se em especial ao estudo das Sagradas Escrituras, encontrando para isso mestres dedicados e um mosteiro com uma biblioteca bem provida, possuindo também as obras de Santo Agostinho, que inspirava a vida dos cônegos agostinianos.
Nosso santo fez das Escrituras aquilo que o salmista já afirmara: “Tua Palavra a é luz para os meus passos”. Nas Escrituras encontrou a verdadeira sabedoria que está na vida de Jesus Cristo que “é poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Cor 1,24).

“Partiu para os desafios do mundo”

Não se pode negar a importância que teve para Antônio a passagem pelos mosteiros dos agostinianos, tanto em Lisboa quanto em Coimbra. Dificuldades não faltaram, mas também as oportunidades para uma formação espiritual e teológica que o firmaram na fé e no amadurecimento para futuras decisões são inegáveis. E o nosso santo tem consciência disso e sabe ser agradecido àqueles que o ajudaram a percorrer esse caminho. Mas a vida no mosteiro de Santa Cruz estava limitada demais para alguém que se caracteriza pela “inquietação evangélica”. E essa inquietação aumenta quando chega a Portugal, no ano de 1217, o sopro renovador e missionário do movimento religioso iniciado por Francisco de Assis, e que nem tinha dez anos de existência. Os franciscanos estavam presentes em Coimbra e em Lisboa.
O modo de vida, marcado pela pobreza, simplicidade e proximidade do povo marcava a presença dos irmãos menores. Dois anos mais tarde, em 1919, São Francisco enviou em missão entre os maometanos cinco frades, Berardo, Pedro, Oto, Adjuto e Acúrsio. Foram anunciar o evangelho entre os sarracenos em Servilha, Espanha, dominada por eles. Lá foram condenados à morte, mas receberam indulto de liberdade e expulsos do país. Mas insistentes foram para o Marrocos e lá sofreram o martírio, sendo decapitados no dia 16 de janeiro de 1220. Seus corpos foram levados para Portugal e sepultados no mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde morava Santo Antônio.
O testemunho dos frades mártires e a proposta de vida evangélica lançada por Francisco de Assis a toda a Igreja, mexeu com Antônio que pediu para sair do mosteiro e ir para o Ordem dos Frades Menores. Foi difícil receber a autorização do superior mas Antônio conseguiu. Diz-se que um dos cônegos despediu-se de Antonio dizendo, certamente com ironia: “Vai, pois, vai, agora podes enfim tornar-te santo!” Também dizem que Antônio respondeu: “Se acaso ouvires alguma vez que eu me tornei santo, então louva o Senhor Deus”. Tinha razão, Antônio será o “santo do mundo inteiro” e vai se santificar no contato diário com as pessoas, ajudando-as a encontrar em Deus o sentido para viver e para enfrentar os desafios da vida. A vida de Antônio não foi fácil, mas jamais procurou as facilidades deste mundo, sabia que o caminho do Senhor é estreito e é nele que caminhamos para a verdadeira felicidade.

“Firmou-se na virtude da humildade”

Foi em 1220 que Fernando saiu do mosteiro agostiniano e entrou na Ordem franciscana. E como o conventinho dos frades em Coimbra tinha como padroeiro o eremita Santo Antão, foi esse o nome que Fernando recebeu agora como frade menor: Antônio. O costume de mudar o nome tem fundamento bíblico e quer significar começo de uma nova vida, com uma nova identidade. Logo Antonio manifestou o desejo de ser missionário no Marrocos, mostrando assim que o exemplo dos cinco mártires franciscanos marcou profundamente a sua vida.
Pelo fim de 1220 recebeu a licença de seus superiores e partiu para o Marrocos em companhia de outro frade de nome Filipe. Chegou ao Marrocos, mas adoeceu de uma doença febril por um longo período no ano de 1221. Foi aconselhado a voltar para a terra natal e na viagem de regresso, mesmo não sendo tempo de tempestades, um forte vento arrastou o barco para a costa da Sicília, Itália, ao invés de ir para Espanha ou Portugal.
Acolhido pelos frades em Messina, na Sicília, foi compreendendo os caminhos misteriosos da vontade de Deus e humildemente submetendo-se à Sua vontade.
No fim de maio de 1221, Antônio participou do Capítulo geral da Ordem, em Assis, vindo a conhecer São Francisco. Após o Capitulo, Antônio é designado para morar no norte da Itália. No conventinho de Monte Paolo, viveu uma vida de recolhimento e também assumiu as tarefas de lavar a louça e limpar o chão.
Neste contexto de vida de oração e trabalhos humildes é convocado para receber a ordenação sacerdotal, em 1222. E é justamente na festa de ordenação, na hora da refeição festiva que é convocado pelo superior para fazer uma pregação improvisada. Sua pregação impressionou a todos e a partir daí, foi designado para a atividade do apostolado e da pregação.
Antônio experimenta na própria pele a palavra do Senhor no Evangelho: “Quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será exaltado” (Lc 14,11).
Para quem pretendia ser mártir no Marrocos e teve de tomar caminhos tão diversos, entende que a vontade de Deus só pode ser compreendida pelos humildes. Daí dizer que “a humildade é a mãe e a raiz de todas as virtudes”.

“Foi defensor dos oprimidos”

Santo Antônio viveu comprometido só com o Evangelho. Foi o que ele buscou viver entre os franciscanos que tinham sua Regra de vida que começava assim: “A Regra e a vida dos frades menores é viver o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, em obediência, sem nada de próprio e em castidade.

Quando uma pessoa tem compromisso só com o Evangelho, torna-se livre para anunciar o que Deus inspira e denunciar tudo o que está contra a Sua vontade. Por isso, Santo Antônio foi sempre uma pedra de tropeço para quem andasse no caminho da injustiça e da opressão aos pobres.

Sua atuação como pregador foi o anúncio da vida em abundância para todos, mas em especial dos que dela são privados. Também Jesus inaugura sua missão evangelizadora, segundo o evangelho de Lucas, dizendo: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Notícia aos pobres...”(Lc 4,18). Jesus lê e diz que nele se cumpre a palavra de Deus anunciada pelos profetas.

Santo Antônio, cheio da força da palavra profética de Deus, atacava publicamente as injustiças e as desordens sociais.

Contra os que exploravam os pobres sempre teve palavras claras. Num de seus sermões afirma: “Quem aperta uma pessoa pela goela, tira-lhe a voz e a vida. As posses do pobre são a vida dele, e como a vida vive do sangue, ele deve viver disso. Se tirares aos pobres seus parcos haveres, estarás a sugar o sangue dele, estarás a sufocá-lo, e enfim tu mesmo serás sufocado pelo diabo”.

Durante sua vida de pregador, confrontou-se com um rico latifundiário chamado Ezzelino que, inclusive, quis matar Santo Antônio.

Outro fato que devemos conhecer é que Santo Antônio conseguiu a anulação de uma lei que vigorava em Pádua e em muitos lugares da Itália. Essa lei favorecia os agiotas da época pois punha na prisão perpétua quem não pudesse pagar suas dívidas. Também os fiadores sofriam o mesmo castigo. Nosso Santo consegue anular essa lei injusta e no dia 15 de março de 1231, o governo de Pádua promulga uma nova lei que dizia: “A pedido do venerável irmão santo Antônio, confessor da Ordem dos Frades Menores, para o futuro nenhum devedor ou fiador poderá ser privado pessoalmente de sua liberdade quando não puder pagar a dívida. Somente suas posses poderão ser apreendidas neste caso, não porém sua pessoa e liberdade”.

Como podemos constatar, Santo Antônio foi grande defensor dos pobres usando a arma da Palavra de Deus e o testemunho de sua vida.

“Foi mestre da Palavra para seus irmãos”


São Francisco queria que seus frades fossem homens simples, que pregassem a Palavra de Deus com a força do testemunho e não com a eficiência da sabedoria aprendida nos livros. Daí sua resistência ao estudo da teologia. Mas sua Ordem tinha um papel a realizar no meio de tantos grupos heréticos que confundiam a cabeça do povo e eram ousados na pregação.

Muitos frades já manifestavam o desejo de uma preparação teológica que desse condições para anunciar com segurança a Palavra de Deus e o ensinamento da Igreja.
Antônio tinha condições de ajudar os irmãos nesta necessidade. Francisco compreendeu que era necessário ceder, embora colocando a condição fundamental para isso: o saber não tem um fim em si mesmo e nem deve ser meio para os irmãos adquirirem honra e fama perante os homens.

A permissão de São Francisco para Santo Antônio ensinar a teologia vai por meio de uma pequena carta com o seguinte conteúdo: “Eu Frei Francisco, saúdo a Frei Antônio, meu bispo.

Gostaria muito que ensinasses aos irmãos a sagrada teologia, contanto que nesse estudo não se extingam o espírito da santa oração e da devoção, segundo está escrito na Regra. Passar bem.

Ao chamar Santo Antônio de “meu bispo”, São Francisco quer indicar que a missão de Antonio se parece com a do bispo que na diocese é, por excelência, o administrador e distribuidor da Palavra de Deus.

Sabemos pouco sobre a atividade de Santo Antônio como professor de teologia! Mas os esquemas de seus sermões que ainda hoje nos encantam, nasceram nesta ambiente de ensino e certamente a pedidos dos frades que queriam aprender a partir daquilo que Santo Antônio falava ao povo.

Um dos primeiros frades a escrever a vida de São Francisco, Frei Tomás de Celano, assim se refere à presença de Santo Antônio no Capítulo da Ordem dos Frades Menores do ano de 1221: “Estava participando do Capítulo também Frei Antônio, a quem o Senhor abrira a inteligência para compreender as Escrituras, e que falava de Jesus a todo o povo com palavras mais doces que o mel e o favo” (1C 48).

E Antônio não decepcionou São Francisco, pois, ensinou aos frades a sagrada teologia somente para cultivar o gosto pela Palavra de Deus e iluminar a vida com a luz radiante da Palavra eterna que é o próprio Jesus.

“Foi profeta dentro de casa e no mundo”

Santo Antônio percebia que o surgimento de tantos movimentos religiosos em sua época e que terminavam na heresia, era causada, em grande parte, pelos próprios representantes oficiais da Igreja. No meio do clero não eram poucos os que relaxavam em suas obrigações pastorais e o mau exemplo de vida escandalizava os fiéis.
Falava Santo Antônio: “Os sacerdotes da Igreja não possuem a luz da sabedoria nem tampouco as verdadeiras virtudes no modo de agir, de maneira que o diabo dispersa as ovelhas e o ladrão, isto é, o herege, as arrebata para si”.
Nosso santo não poupou sua palavra profética contra o clero ganancioso e simonista, isto é, que ganhava dinheiro vendendo as coisas sagradas. Antônio o chama de “outros filhos de Jacó” que venderam seu irmão, José, por vinte moedas aos ismaelitas. Santo Antônio dizia: “Hoje José é Jesus que continuais vendendo”.
A palavra de Santo Antônio tem força por causa do testemunho que dá, e também porque a crítica que faz quer ser um apelo à conversão de todos que estão errados. Assim sendo, Antônio acorda os de dentro da Igreja e os que estão fora. A sua palavra profética denuncia todo mau exemplo, injustiça ou opressão que comprometem o plano de Deus para a humanidade inteira. Para Antônio a humanidade não possui a justiça de Deus “porque não O teme, desonra a religião, odeia o bem, torna-se ingrato para com Deus...”
Todos são chamados à santidade. Para ele “os santos nasceram para o bem do mundo porque a santidade é uma virtude que acaba beneficiando a todos”.
Se vivemos em Cristo, nossa vida iluminada na Dele, é luz que incomoda as trevas. Santo Antônio entendeu muito bem o que Jesus quis dizer quando afirmou: “Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo...” (Mt 5,13.14).

“Foi mestre da oração”


Santo Antônio foi mestre da oração para todos, mas em especial para as pessoas simples com quem falava e partilhava sua missão de pregador do Evangelho. Por isso, ao se referir à oração, ele afirma:
“Se alguém quiser rezar ou meditar melhor, procure então representar para si em imagens claras a humanidade de Cristo, seu nascimento, sua paixão e sua ressurreição!” E continua: “Esta maneira de meditar costuma dar aos pobres em espírito e aos filhos de Deus mais simples uma felicidade tanto maior no amor, quanto mais se aproximarem da humanidade Dele”.
Antônio está em sintonia com a espiritualidade de Francisco e de Clara: de Francisco nasce o presépio para contemplar o mistério da encarnação, e a via-sacra para meditar o mistério pascal do Senhor. Santa Clara, escrevendo a uma de suas irmãs, Inês, pede que a cada manhã, contemple como num espelho a vida de Cristo procurando assemelhar ao Seu rosto.
A oração franciscana é marcada pela simplicidade das palavras e a riqueza das atitudes interiores e corporais. A simplicidade faz-nos falar com a linguagem da vida, já a riqueza das atitudes interiores aparece no reconhecimento de quanto somos pequenos diante da grandeza de Deus. Mas isso me enche de alegria, de humildade e confiança que me leva a entregar-me plenamente nas mãos de Deus. As atitudes corporais significam a sintonia com a natureza e o reconhecimento de que a criação reza conosco.
Santo Antônio não nos deixou um método de oração, mas em suas palavras encontramos muitas orientações concretas e seguras para buscarmos e vivermos a intimidade com o Senhor: “O bom mestre nos convida para longe da multidão inquieta: Vinde para a solidão do corpo e da alma”. Outra afirmação interessante de nosso santo é: “A vida do corpo é a alma, a vida da alma é Deus”.
Santo Antônio dizia: “Podemos rezar de três modos: com o coração, com a boca e com as mãos”. Rezar “com o coração” com a atitude do verdadeiro orante que reconhece diante de Deus sua pequenez, sua pobreza e reza na humildade. Mas mesmo nesta condição nossa boca não pode calar quando o coração sente a força da misericórdia de Deus e assim “a boca fala daquilo que o coração está cheio”. E à semelhança da Samaritana, temos de dizer: “Venham ver um homem que me disse tudo o que eu fiz” (Jo 4,29). Mas o coração que acolhe a misericórdia e a boca que a proclama leva a pessoa a agir bem, como dizia o próprio Jesus: “Que a vossa luz brilhe diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e louvem vosso Pai que está no céu” (Mt 5,16).

“Proclamou as maravilhas da Trindade”

Em Jesus entramos em comunhão com o mistério de Deus. Jesus nos revela o rosto do Pai e nos dá o Espírito Santo. Em Deus não há solidão, mas comunhão das Três divinas Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.
Santo Antônio proclamou com palavras belíssimas o mistério da Santíssima Trindade: “Na Trindade se encontra a origem suprema de todas as coisas e a beleza perfeitíssima e o deleite beatíssimo. A origem suprema é Deus Pai, de quem procedem todas as coisas, de quem provêm o Filho e o Espírito Santo. A beleza perfeitíssima é o Filho, verdade do Pai, que lhe não é dessemelhante em ponto algum. O deleite beatíssimo e a soberana bondade é o Espírito Santo, dom do Pai e do Filho”.
Nestas palavras encontramos o ensinamento da Igreja associado à beleza e as comparações que Santo Antônio usava pala falar de mistério tão grandioso. Noutro sermão, ele usa uma comparação com a palavra “paz”, em latim, pax: “Na palavra PAX, há três letras e uma sílaba, em que se designa a Trindade e a Unidade: no P, o Pai; no A, primeira letra, o filho, que é a voz do Pai; no X, consoante dupla, o Espírito Santo, procedente de ambos. Assim, ao dizer Jesus aos discípulos: 'A paz esteja convosco', recomenda a fé na Trindade e na Unidade”.
Muitas vezes temos dificuldade de falar da Santíssima Trindade e Santo Antônio numa linguagem comparativa, alegórica, fala com simplicidade do mistério de Deus. Mas Antônio quer mostrar, sobretudo, as conseqüências de nossa fé na Trindade Santa. A conseqüência fundamental para quem acredita da Trindade é que nossa vida só tem sentido e só pode ser vivida em comunhão com os outros, com a criação e com Deus. A beleza da vida está na comunhão e na comunicação. É verdade que, na prática, tendemos à solidão e ao isolamento. Mas vibra em nós a realidade de Deus, a verdade suprema que é não a solidão de uma Pessoa, mas a comunhão e a comunicação das Três divinas Pessoas em um só Deus.
Santo Antônio afirma com beleza: “Na Trindade não se devem fazer degraus, de modo que o Pai se creia maior que o Filho, ou o Filho menor que o Pai, ou o Espírito Santo menor que ambos; mas deve-se acreditar que são simplesmente iguais, porque qual é o Pai, tal é o Filho e tal é o Espírito Santo”.
Pelo Batismo mergulhamos na vida da Trindade Santa e nos tornamos instrumentos de unidade na diversidade.
“Senhor, a luz do teu rosto, a luz da graça que estabelece em nós a tua imagem e nos torna semelhante a ti, está gravada em nós, impressa na razão como selo em cera”.

“Anunciou o mistério da Encarnação do Verbo”

“Ele veio a ti para poderes ir a Ele”. Essa afirmação é o centro do pensamento e da espiritualidade de Santo Antônio. De fato, a espiritualidade franciscana firma-se em duas colunas: a encarnação (Natal do Senhor) e a redenção (Mistério Pascal). Santo Antônio reforça de modo muito próprio a riqueza da espiritualidade de São Francisco e Santa Clara. Por isso podemos falar em espiritualidade antoniana.

Santo Antônio nos mostra a bondade do Senhor que assumindo a condição humana, no seio de Maria, trouxe-nos a salvação e nos habilitou como filhos de Deus: “Para nós homens Te tornaste homem, a fim de nos salvar. Pelo que sofreste, aprendeste a misericórdia. A nenhum anjo podemos dizer: Eis que és nosso osso e nossa carne; mas a Ti, Filho de Deus, na verdade podemos dizer: És nosso osso e nossa carne, pois assumiste não a natureza dos anjos, mas a natureza dos descendentes de Abraão. Tem, pois, piedade de nós, que somos teu osso e tua carne. Quem por acaso odiou sua carne? Tu, porém, és nosso irmão e nossa carne; por isso deves ter misericórdia e compaixão com teus pobres irmãos, pois temos um só Pai, Tu e nós – Tu pela natureza e nós pela graça. Tens poder na casa de teu Pai, não nos expulseis daquela santa herança, um vez que somos na verdade teu osso e tua carne. Antigamente os filhos de Israel transportaram os ossos de José para a terra prometida; tira-nos também – teu osso e tua carne – destas trevas do Egito e leva-nos para a terra dos santos”.

Antônio anuncia com entusiasmo e alegria o mistério da encarnação que é o coração da fé cristã, pois nele se revela aquela iniciativa amorosa de Deus descrita por São João da seguinte forma: “Nisto consiste o amor, não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou, e nos enviou o seu Filho como vítima expiatória por nossos pecados” (1Jo 4,10).

Pela encarnação de Jesus no seio da Virgem Maria, Deus veio a nós para que nós possamos ir até Ele. Neste ensinamento de Santo Antônio encontramos o próprio ensinamento do Evangelho quando Jesus diz: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo 14, 6).

“Amou a Virgem Maria”

Não temos certeza absoluta quanto a data do nascimento de Santo Antônio, mas aqueles que procuraram escrever sua vida dizem que foi no dia 15 de agosto de 1195. Não estaria essa data relacionada ao amor que nosso santo tinha à Mãe do Senhor. 15 de agosto é a solenidade da Assunção da Virgem Maria.
Não se pode negar a devoção que Santo Antônio tinha à Mãe de Jesus. Dizem que ele faleceu com o nome de Maria nos lábios pois, desde criança aprendeu a invocá-la e em toda sua vida foi-lhe profundamente devoto. Encontramos seis sermões de Santo Antônio dedicado à Virgem Maria e neles a homenageia com títulos admiráveis: “Trono místico de Cristo”, “Trono de marfim pela sua brancura, ao qual se sobe pelos seis degraus das virtudes marianas: vergonha, prudência, modéstia, constância, humildade e obediência”. Antônio também compara Maria ao lírio, a um vaso de ouro, à oliveira, ao cipreste, ao arco-íris e à porta do céu. Também à chama de nova Ester.
Santo Antônio tem afirmações profundas em que encontramos o mistério da Virgem Maria sempre relacionado com o de Jesus Cristo: “A criatura carregou no seio seu Criador e a pobre Virgem o Filho de Deus”. “Tu és ao mesmo tempo o mais alto e o mais humilde! Senhor dos anjos e súdito dos homens! O Criador do mundo obedece a um carpinteiro, o Deus de eterna majestade se submete a uma Virgem”.
Outra afirmação interessante é esta: “Maria não só deve ser louvada por ter trazido no ventre o Verbo de Deus, mas também é bem-aventurada porque realmente guardou os preceitos de Deus”.
A reflexão que Santo Antônio faz sobre Nossa Senhora é profundamente enraizada na bíblia, na pessoa de Jesus e na missão da Igreja.
De Santo Antônio temos muito o que aprender sobre o seu amor à Mãe de Jesus.
“Tendo as numerosas virtudes brilhado de modo excelente em Maria Santíssima, a humildade superou-as a todas. Por isso, quase esquecendo as restantes, coloca à frente a humildade, dizendo: 'Olhou para a humildade de sua serva”.
Que o amor de Santo Antônio à Virgem Maria, Mãe de Jesus, nos ajude a anunciar aquilo que a própria Maria proclamou no Magnificat: “Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48).

“Viveu nesta vida construindo a eternidade”


“Para quem se fixa no desejo da eternidade nada há no mundo que deseje, nada há do mundo que tema”. Estas palavras de Santo Antônio bem resumem o que foi sua vida: a busca da eternidade vivida no dia-a-dia em sua vida e missão.
Ele soube aproveitar o tempo que Deus lhe concedeu e que foram poucos, apenas 36 anos. E como diz o salmista, “Mil anos são aos teus olhos, Senhor, como o dia de ontem que passou, uma vigília dentro da noite” (Sl 89,4).
A transitoriedade da vida vivida no desejo da eternidade fez Antônio viver plenamente os seus dias para a glória de Deus e para a salvação de muitos, pois, como ele mesmo dizia: “A santidade é uma virtude que acaba beneficiando a todos”. E Antônio é o santo do mundo inteiro, apesar de sua ação missionária está localizada quase toda na Itália, seu testemunho evangélico ultrapassou não só o espaço geográfico, mas o tempo. Ainda hoje ele ilumina a vida de quantos busquem Aquele que veio a nós para que possamos ir a Ele!
Seus últimos dias foram vividos num lugar de vida de oração dos frades, um eremitério, em Camposanpiero, na zona rural, a uns dezoito quilômetros de Pádua. Aproximava-se o verão e o clima em Camposampiero era mais ameno, como também a tranqüilidade e a solidão para o encontro com Deus na oração e na meditação. Era tarde demais para recuperar as forças e restabelecer-se corporalmente. O seu sofrimento era grande com a hidropisia (barriga d'água) e asma. Segundo pesquisas em suas biografias mais antigas, há probabilidade de que nosso santo tivesse diabetes. O que sabemos é que não poupou seu corpo, seu tempo e sua vida. Deu-se totalmente ao anúncio do Evangelho.
Quando o quadro de sua saúde piorou, a seu pedido trouxeram-lhe para Pádua. Os frades o trouxeram num carro puxado por dois bois. Fui uma viagem longa e sofrida e que terminou em Arcella, na periferia de Pádua, na tarde de 13 de junho de 1231.
Sua morte foi logo anunciada aos cidadãos de Pádua de modo maravilhoso: sem que ninguém dissesse, as crianças de Pádua ficaram inquietas e começaram a dizer pelas ruas: “Morreu o padre santo. Morreu o padre santo”.
Houve muita disputa no enterro, pois alguns queriam que fosse enterrado onde morreu, em Arcella, outros no convento de Santa Maria, em Pádua. Mas finalmente, foi sepultado em Pádua, numa terça-feira, 17 de junho de 1231.
Não demorou nem um ano para que fosse canonizado. Na festa de Pentecostes, no dia 30 de maio de 1232, foi canonizado na catedral de Spoleto, pelo papa Gregório IX. Pela sua vida a serviço da glória da Trindade Santa e da salvação da humanidade, “ele mereceu ser colocado não debaixo do alqueire, mas no candelabro da Igreja católica”, para que seu exemplo continue iluminado a vida de todos.

Pensamentos de Santo Antônio:

“O paraíso é a primeira casa do homem”.
“Onde houver justiça, aí haverá sabedoria, e onde houver sabedoria, aí está o paraíso”.
“O paraíso é a terra dos vivos, possuída pelos humildes”.
“Celebramos a festa dos santos para aprender com o exemplo de suas vidas” e ainda, “os santos nasceram para o bem do mundo porque a santidade é uma virtude que acaba beneficiando a todos”.
“A pobreza reveste a alma de virtudes, as riquezas temporais a desnudam”.
“É raro o dano que não provenha da abundância”.
“A pobreza do filho de Deus foi tamanha, que na morte não teve sudário em que fosse envolvido nem túmulo em que fosse sepultado, se não lhe fossem dados, a titulo de misericórdia e de esmola, como se tratasse de pobre mendigo”.
“Como o homem exterior vive do pão material, o homem interior se alimenta do pão celeste, que é a Palavra de Deus”.
“Quem não ouve a Palavra de Deus e não observa a lei da caridade queima em vão o incenso da oração”.
“A palavra é viva quando falam as obras. Cessem, pois, as palavras e falem as obras. Estamos cheios de palavras mas vazios de obras!”
“Escuta como a Escritura consola o que padece tribulação: Quando tu passares pela água, eu estarei contigo e os rios não te cobrirão. Quando caminhares por entre o fogo, não serás queimado e a chama não arderá em ti, porque eu sou o Senhor teu Deus”.
“Assim como no favo há mel e cera, também na vida do homem justo há o mel da doçura interior e a cera da adversidade. A cera funde-se e desaparece na presença do fogo, na presença do amor divino”.
“Toda obra boa toma seu princípio na humildade”.
“A humildade é a mais nobre de todas as virtudes”
“A casa compreende alicerces, paredes e teto. Os alicerces simbolizam a humildade; as paredes o conjunto das virtudes: o teto a caridade. Onde estes três elementos se encontram reunidos, aí está o Senhor”.
“A pregação deve ser sólida, isto é, rica da plenitude das boas obras, propondo palavras verdadeiras, não frívolas, não apenas bonitas”.
“A pregação deve ser reta, não vá o pregador desfazer em suas obras o que disse no sermão. De fato, perde-se a autoridade de falar, quando a palavra não é ajudada pelas obras”.
“O estrume reunido em casa exala mau cheiro; disperso, fecunda a terra. Assim acontece com as riquezas: devem ser dispersas, isto é, distribuídas e restituídas aos pobres, que são seus donos, e assim hão de fecundar a terra do espírito e fazê-la frutificar”.
“Só te pertence o que podes levar contigo na morte”.
“Como o ouro está acima de todos os metais, assim a ciência sagrada sobressai a toda ciência”.
“A vida contemplativa não foi instituída por causa da ativa, mas a vida ativa por causa da contemplativa”.
“Também o corpo tem seus profetas que lhe dizem: 'Para que serve o teu jejuar? Para que toda essa tortura? Vais adoecer; tornar-te-ás tão fraco que não poderás ser útil nem a ti nem aos outros'. Entretanto, a respeito desses videntes está escrito: 'Teus profetas anunciam a ti mentiras e engano”.
“Assim se tornam algumas pessoas, que antes de entrar para o convento viviam em casa de modo simples, mas apenas entraram para o convento começam a mostrar-se cheias de exigências. Esses tais não têm sua alegria na oração, mas na ociosidade e na preguiça... Viso àqueles que moram na igreja de Deus, mas vivem na ociosidade e no relaxamento, que em vez do silêncio da oração procuram a tagarelice e a conversa dos ociosos”.
“A doutrina de Cristo parece dura, porque ensina a dominar o corpo e desprezar o mundo. Por isso não se gosta de escutá-la”.
“Praticar uma boa obra é orar sem interrupção”.
“Somos templos de Deus e santos, se formos contemplativos, renunciando aos bens temporais; se mortificarmos nossa carne; se nos compadecermos do próximo”.
“O Espírito Santo é enviado pelo Pai e pelo Filho. Os três são de uma só substância e de inseparável igualdade. A unidade está na essência; a pluralidade nas pessoas”.
“Assim como a moeda se cunha com a imagem do rei, também nossa alma é gravada com a imagem da Santíssima Trindade”.
“Bem-aventurado o ventre da gloriosa Virgem, que mereceu trazer por nove meses todo o bem, o sumo bem, a felicidade dos anjos, a reconciliação dos pecadores”.
“Cristo na verdade veio em nosso socorro ao dar-nos sua divindade e aceitar nossa humanidade, para que pudéssemos ser aceitos no reino de Deus, uma vez que dele estávamos excluídos. Para que tivéssemos acesso ao céu, ele o deixou”.
“Porque o homem estendeu sua mão para apossar-se da glória da majestade divina, Deus se desfez da sua poderosa glória e na sua humildade se acomodou ao homem”.
“Alma de santo algum reuniu tantas riquezas de virtudes como a de Maria Santíssima. Por causa da insígnia da sua humildade, da flor ilesa da sua virgindade, mereceu conceber e dar à luz o Filho de Deus”.
“Maria é a estrela do mar. Ela é a estrela deslumbrante, que ilumina a noite e guia ao porto”.
“Maria: nome amável aos anjos, terrível aos demônios, salutar aos pecadores, suave aos justos”.
“Maria Santíssima ao dar a luz o Filho de Deus o envolveu em paninhos da áurea pobreza. Ó ouro ótimo da pobreza! Quem não te possui, ainda que possua todas as coisas, nada possui”.